
Existem algumas hipóteses sobre a origem do gado mocho no Brasil:
1ª hipótese: O gado seria originário provavelmente de Goiás ou Bahia, pois Goiás foi uma região que mais apresentou gado mocho nos primórdios da sua história. Também é válido lembrar que no início da história, o gado Mocho Nacional era um fruto quase provável do cruzamento entre raças portuguesas e o gado zebuíno antigo do Brasil.
2ª hipótese: Originário do gado mocho do Paraguai, ou de outros países. Alguns países sul-americanos como a Venezuela e a Colômbia apresentam gado mocho com exceção do Paraguai onde o gado parece ter sido obtido a partir de cruzamentos com o Angus e apresenta caracteres indígenas, deixando claro sua antiguidade.
3ª hipótese: Originário do gado mocho da Inglaterra, sendo essa uma hipótese que pode ser colocada de lado, uma vez que o gado Mocho Nacional já existia no Brasil, antes da chegada das raças Angus e Red Polled.
4ª hipótese: Originário do gado mocho da costa da África, pois há quem acredite que navios negreiros tenham trazido gado mocho dessas costas africanas para o Brasil. Realmente esses navios carregavam gado, mas não há certeza de que eram mochos.
5ª hipótese: Originário do gado mocho da Índia, Indochina ou da China, sem nenhuma confirmação científica. O mais provável é que nunca tenha existido um gado mocho na Índia, até o período da dominação britânica. Desde o século XVI, os ingleses ficaram na Índia e poderiam ter levado gado mocho para lá, gerando alguma descendência, pois eles tentaram formar algumas raças na Índia como a Montgomerry, a Taylor, a Sahiwal, a Hissar, entre outras.
6ª hipótese: Originário do gado mocho de Portugal é uma hipótese muito provável sobre o surgimento do gado mocho nacional. Segundo Antônio da Silva Neves, o Zebu já era conhecido por Portugal, na Quinta de Mafra, antes da colonização brasileira. Segundo o autor, o gado mocho foi introduzido pelos colonizadores, talvez para serventia nas usinas de açúcar, e podem ser distinguidas duas raças naturais do país: a de Araxá e a de Goiás.
Características do Mocho
Segundo DECHAMBRE ("Traité de Zootechnie"
1928) e outros autores, as raças mochas são
classificadas em concavilíneas, menos o Mocho Nacional.
A parte frontal de um boi mocho tem que ser cavada resultante da falta de chifres e das bossas frontais, mais ou menos salientes, mas no conjunto dos demais caracteres não existe harmonia correlativa, isto é, os traços que caracterizam não são do bovino concavilíneo, e sim de um subconvexilíneo, havendo mesmo uma tendência para o retilíneo.
No Mocho Nacional, é possível perceber os olhos oblíquos, o chanfro ligeiramente convexo, a raiz do nariz apagada, o sacro saliente, cauda em crossa e saliente entre os ísquios, e raramente a nádega em formato de calota. Porém algumas destas características vêm se tornando cada vez menos notáveis pela seleção, então, pode-se deduzir que o Mocho Nacional é um subconvexilíneo, com tendência a retilíneo.
Proporcionalmente, um Mocho Nacional é mediolíneo, mas tem tendência em se tornar brevilíneo, isto é, adquirir a parte frontal larga, encurtamento da face e do pescoço, amplitude de tronco e da bacia, encurtamento dos raios ósseos e, conseqüentemente, possui os membros reduzidos e uma musculatura fortalecida.
Essa raça possui o volume eumétrico, isto é, possui um peso médio de 650 kg. Na verdade, seu peso médio sendo 500 kg, deverá ser considerada uma raça subeumétrica, mas um peso médio de 550-600 Kg poderá ser alcançado dentro de poucos anos com facilidade.
A cor dominante dessa raça é a cor amarela, variando desde o lavado até o amarelo alaranjado, uniforme, com pigmentação centrípeta – havendo indivíduos de pelagem centrífuga, geralmente uniforme, mas são muito comuns manchas brancas no ventre, especialmente na região vizinha do úbere ou do escroto.
História e Pioneirismo
Em Goiás, entre 1900 a 1920 já havia gado
mocho, segundo os historiadores. Emanuel Campos Guimarães
(Nelinho), neto e atual sucessor de Salviano Guimarães,
sugeriu que esse gado de Goiás teve origem na Bahia,
de onde teria acompanhado as caravanas que traziam gado
de corte para o nordeste de Goiás.
Segundo o historiador Antônio da Silva Neves, o gado mocho era até um mau negócio, naqueles tempos, pois as boiadas precisavam seguir a pé pelas estradas e, então, o animal mocho sofria muito por não poder se defender dos demais bovinos de chifres.
O Ministro da Agricultura, Miguel Calmon du Pin e Almeida, resolveu em 1907, estudar todas as raças que existiam ou eram criadas no Brasil. Para o ajudar, comissionou o estudioso Henrique Silva para tratar o gado de Goiás, o qual afirmou existirem seis raças de bovídeos em Goiás: Pedreiro, China, Curraleiro, Caracu, Bruxo e Mocho.
Na década de 20, em plena Primeira Guerra Mundial, a França, que era um país fortemente comprador de carne bovina brasileira, deixou de comprar carne do Brasil, fazendo com que o governo brasileiro tentasse uma reaproximação, mas, os franceses só voltariam a comprar carne do Brasil, se o país passasse a produzir carne com qualidade de um gado Charolês. Com isso, o gado Charolês entrou oficialmente no Brasil, em meio a festas.
Boa parte dos animais europeus foi para Goiás, onde foram vendidos para criatórios locais, disseminando a característica mocha, cada vez mais, e a fama de Goiás como fornecedora de animais mochos, também crescia.
Na década de 1940, surgem em São Paulo
quatro alternativas de gado mocho. Todas elas tiveram
grande importância e todas participaram de uma nova
aurora na pecuária brasileira. E como todas tinham
um "espírito paulista" de compromisso
com a Ciência, surgiu a intenção de
proporcionar mais realismo à pecuária que,
naqueles dias, era orientada mais pelo empirismo do que
pela razão.
Três famílias goianas tiveram participação importante na formação da raça Tabapuã:
- A família de Salviano Guimarães que permaneceu na formação do mocho que, logo mais, iria receber o nome de Tabapuã, nas mãos da família Ortenblad, em São Paulo.
- A família Lousa que dedicou-se com afinco à consolidação do Nelore mocho, do qual seria um baluarte, sendo anterior aos pioneiros como Omar Cunha, Ovídio Miranda Brito, Geraldo Ribeiro, Rui Terra, e outros.
- A família de "Chico" Inácio
que firmou-se no aperfeiçoamento e consolidação
de Gir mocho, que iria ganhar destaque nas mãos
de Frederico Chateaubriand, Nhozinho Barbosa, e outros.
O Tabapuã é uma raça zebuína mocha genuinamente
brasileira. Recebeu esse nome devido sua origem no município
de Tabapuã, norte do estado de São Paulo.
Fruto do cruzamento de Nelore com Guzerá Leiteiro,
o Tabapuã
é um gado mocho com grande habilidade
materna.
Sua precocidade se apresenta como um importante recurso
genético para o aumento e a melhoria dos plantéis.
O Tabapuã é a raça que pela primeira vez na história da pecuária brasileira, foi arquitetada para progredir de acordo com a Ciência. A raça já nasceu com uma característica própria de que não poderia ser equiparado com as demais raças de corte.
Quando se filiou à ABCZ, associação que administra o Registro Genealógico para todas as raças zebuínas, passou a contar com um Padrão Racial e morfológico, onde a maioria dos predicados é exatamente igual ou similar aos das demais raças.
O tempo foi passando e as discussões entre os criadores aumentaram, pois a finalidade maior da raça é a lucratividade e este conceito pode sofrer muitas interpretações.
Após ouvir a maioria dos criadores para extrair
a mais adequada orientação sobre o futuro
da raça, concluiu-se que o Tabapuã deve
ser avaliado de três maneiras, diferentemente, a
saber: no campo, nas exposições e nas pesquisas zootécnicas.
I. Mocho - O Tabapuã é um
gado mocho, ideal para a formação de plantéis
com essa peculiaridade, pois a ausência de chifres
é característica dominante e altamente transmissível.
II. Manso - A mansidão pode ser
considerada uma das maiores virtudes do Tabapuã,
um dos principais elementos diferenciadores, se comparado
com outras raças zebuínas de corte.
Essa importante característica permite que o
animal não tenha stress no manejo, não perdendo
peso durante as vacinações e não
sofrendo solução de continuidade de crescimento
e engorda.
Até mesmo os criadores que realizam cruzamentos
por meio de outras raças zebuínas de corte
se admiram ao perceber que é possível entrar
tranquilamente em meio a uma vacada parida ou em um curral
cheio de novilhas da raça Tabapuã; devido
a estarem acostumados e acreditarem que esse tipo de gado
é normalmente temperamental.
A mansidão do gado Tabapuã é um
dos grandes méritos da família Ortenblad,
em sua seleção inicial. Eles utilizaram
famílias inteiras de vacas Guzerá comprovadamente
mansas notadamente de origem leiteira. E mesmo tendo sofrido
muitas infusões diferenciadoras, por todo o Brasil,
o gado Tabapuã em geral mantém a mansidão
como um atributo básico até hoje.
III. Leiteiro - Não se pode realizar
uma pecuária de corte lucrativa com matrizes de
produtividade leiteira fraca. Na época do verão
ou em curtas estações com repiquetes, por
exemplo, as crias precisam continuar nascendo e crescendo,
sendo isto possível principalmente por meio do
leite materno.
Nas Provas de Desenvolvimento Ponderal, o gado Tabapuã
sempre se destaca como uma das boas alternativas para
o clima tropical, justamente porque suas fêmeas
apresentam boa aptidão leiteira.
Submetida a um Controle Leiteiro Oficial por Rodolpho
Ortenblad, durante vários anos consecutivos, a
raça Tabapuã conseguiu produções
acima de 3.000 Kg na lactação, o que é
excelente para uma raça zebuína de corte.
Os animais com produtividade acima de 2.000 Kg na lactação
de 305 dias podem ser enquadrados, funcionalmente, como
sendo de uma raça mista.
IV. Grande habilidade materna - O Tabapuã
é o zebu mais pesado na desmama, sendo capaz de transmitir
sua habilidade materna para as filhas.
No que diz respeito ao índice de natalidade, o excelente
desempenho da raça quanto à idade do primeiro
parto e o intervalo entre partos, aponta o Tabapuã
como gado muito lucrativo na atividade pecuária.
V. Precoce - A principal exigência
da pecuária moderna está intimamente associada
ao Tabapuã, o Zebu mais precoce do Brasil.
Desde os primeiros estudos genéticos, a raça
revelou-se como grande potência em ganho de peso.
Em todos os anos que a ABCZ realizou provas de ganho de
peso de todas as raças Zebu, a raça Tabapuã
foi campeã.
Sua precocidade pode ser percebida desde cedo, pois o Tabapuã
é também o Zebu mais pesado na desmama.